A Greve dos Difuntos?
- Verdades

- 13 de dez. de 2025
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Num hospital público, o único de uma cidade, no interior de um país da europa, os médicos, depois de inúmeras tentativas de negociação por aumento de salário, decidiram fazer uma greve por tempo indeterminado, até que todas as reivindicações fossem atendidas. Estavam todos dispostos a levar o movimento grevista às últimas consequências. Não cederiam em nada se não tivessem cumpridas todas as suas demandas.
Cancelaram todas as consultas ambulatoriais, todas as cirurgias e internações eletivas. Só permaneceu funcionando a emergência, mesmo assim, o paciente só conseguia chegar ao médico depois de uma rigorosa triagem. O número de atendimentos do hospital despencou vertiginosamente como nunca havia acontecido na cidade.
A greve foi se estendendo. O prefeito da cidade considerava absurda as propostas dos médicos e resolveu não ceder em nada.
O tempo foi passando e, quando já se contava três meses do início do movimento, algo de curioso começou a acontecer na cidade. A funerária do município era propriedade da família do prefeito. Os rituais funerais que começavam com o preparo do cadáver e seguiam com a venda do caixão, o velório, as flores e coroas, o cortejo, até a finalização com o sepultamento, eram o principal negócio da família há mais de um século.
O irmão do prefeito, que era o gerente da empresa, percebeu uma queda acentuada do número de enterros depois que foi iniciada a greve dos médicos. Consequentemente, uma perda de orçamento, jamais ocorrida, preocupou imensamente o gestor. Se a greve continuasse iriam ter problemas financeiros.
Levou o "problema" para o prefeito que resolveu checar a informação com o cartório da cidade. Foi então confirmada a redução significativa do numero de óbitos naquele período.
A maior preocupação, entretanto, foi não deixar a informação vazar para a população, ou seja, o povo não podia perceber que quando os médicos deixam de trabalhar as pessoas deixam de morrer. Se isso acontecesse as pessoas iriam querer fechar o hospital e, consequentemente, a funerária iria à falência.
O Prefeito imediatamente atendeu aos médico pelo "bem" da população.
Os médicos retornaram ao trabalho e os enterros foram normalizados.






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