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Sangue de Beterraba

  • Foto do escritor: Verdades
    Verdades
  • 28 de fev.
  • 2 min de leitura

Membro de uma religião que tinha como princípio doutrinário a não permissão de transfusão de sangue, o casal Fagundes era devoto dedicado e fiel aos ensinamentos da igreja. Roberto e Márcia eram donos de uma empresa de Festas de Casamento de sucesso na cidade e muito requisitados pela alta sociedade.

O compromisso com as atividades da Casa de Deus, entretanto, era a principal atividade da família. Filhos criados dentro dos ensinamentos da fé, eram figuras assíduas em todos os cultos. Suas doações ultrapassavam bastante a cota do dízimo mensal.

Um belo dia, Roberto passou mal e foi levado para o principal hospital particular da cidade. Teve uma hemorragia digestiva provocada por uma ulcera gástrica. Ficou internado, pois perdeu muito sangue. A equipe médica decidiu pela transfusão de sangue. O paciente e a família se recusaram a aceitar a decisão criando um grande transtorno ético e legal no hospital. Os médicos foram radicais e ameaçaram desobedecer a decisão familiar. Márcia levou o pastor e o advogado da igreja para tentar barrar a transfusão.

Foi quando surgiu um jovem médico, muito sensível às questões da espiritualidade, que resolveu assumir o caso respeitando a decisão da família. Enfrentou a ameaça de processo pelos seus colegas.

Conversando com o doutorzinho, Márcia disse que tinha um preparado de uma receita da igreja que "substituía" o sangue. Combinaram de ela trazer três vezes por dia e entregar para enfermeira para que fosse administrado por via oral. Era, na verdade, uma vitamina batida no liquidificador composta por verduras, legumes, cereais e frutas e muito parecido com o sangue. A fórmula exata era um segredo guardado a sete chaves pelos devotos.

A empreitada não foi nada fácil. Roberto teve mais dois episódios de hemorragia ficando muito anêmico. O jovem doutor ficou com muito medo de toda a situação e só se manteve na decisão de dar continuidade ao tratamento alternativo porque foi convencido na fé pela esposa e filhos.

Dez dias depois, o paciente se recuperou e ficou curado. Milagre? Para a família e o jovem médico, sim. Para os demais médicos imprudência com sorte.

 
 
 

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