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Em Casa de Ferreiro...

  • Foto do escritor: Crônicas
    Crônicas
  • há 4 horas
  • 2 min de leitura


“O dia que a morte chegar, chegou! Pode ser hoje ou daqui a 50 anos. A única coisa certa é que ela vai chegar”. - Ayirton Senna


Empresário bem sucedido na área da saúde, Valter Soares Bendhyr, conhecido pelos mais chegados como Vaguinho, construiu um império com seus negócios. De origem humilde, fez toda sua formação em escola pública. Aos 18 anos entrou para o exército onde chegou a sargento. Nesse período cursou faculdade de administração à noite e, ao final do curso, começou um estágio numa empresa de seguros. Estamos falando do início dos anos 80.

Muito esperto, inteligente e disciplinado, percebeu que as pessoas de classe média estavam com dificuldade de acesso a médicos e hospitais, pois na época os serviços públicos estavam ineficientes ao mesmo tempo que, praticamente, não existiam planos de saúde.

Resolveu criar então, um plano focado na classe média alta oferecendo convênios com médicos, clínicas e hospitais de excelência. Deu certo. Vaguinho deu baixa no exército e se tornou um grande empresário do setor.

O pulo do gato, entretanto, foi no final dos anos 90 quando resolveu criar o primeiro serviço de resgate privado do país interconectando ambulâncias UTIs com helicópteros e jatinhos, tornando acessível, em poucas horas, os melhores hospitais do país, aos usuários do seu plano, não importando mais a que distância estivessem.

A mídia, nos horários nobres, fazia belíssimas propagandas das equipes com uniformes parecidos com os dos astronautas, em belíssimas aeronaves, resgatando e salvando vidas em todos os cantos do país. É claro que tinha que pagar muito caro para ter acesso a esse serviço.

Vaguinho convencia todos ao seu redor de adquirirem o produto com a argumentação de que o dinheiro era capaz de comprar a saúde: bons check ups, bons médicos, bons hospitais, acessíveis de qualquer lugar do planeta com transporte a jato veloz e seguro. Para o empresário, quem tinha dinheiro só morreria se quisesse economizar.

Pois bem, Vaguinho tinha uma casa cinematográfica numa ilha de um balneário paradisíaco no litoral. E, é claro, não poderia deixar de ter um heliporto. Adorava reunir amigos magnatas, aos sábados, para jogar tênis e pescar no seu iate.

Como de costume, acordavam todos cedo e, depois de um farto desjejum, começavam o dia com partidas de tênis. Ao final de cada partida, sentavam-se à mesa para papear, descansar, e beber água de coco, por alguns minutos, até reiniciar o próximo jogo.

Os amigos retornaram para quadra e perceberam que Vaguinho não retornou. Chamaram por ele e não obtiveram resposta. Imediatamente, se dirigiram a ele e, para surpresa de todos, Vaguinho estava morto.

A maioria não acreditou acionando imediatamente o serviço de resgate. O helicóptero chegou em 35 minutos. A equipe não pôde fazer absolutamente nada, a não ser constatar o óbvio. Naquele momento: o óbito. A aeronave retornou vazia, pois não podia legalmente transportar um cadáver, mesmo que aquele corpo tenha pertencido ao dono do equipamento.

A “máxima” de Vaguinho não funcionou para ele: seu dinheiro não comprou sua vida.

...o espeto é de pau!

 
 
 

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