Atropelado no Hospital
- Casos

- 17 de jan. de 2025
- 2 min de leitura
Atualizado: 11 de out. de 2025

A vida não é construída somente de situações agradáveis. Muitas vezes as pessoas são vítimas de situações traumáticas que, em muitos casos, poderiam ter sido evitadas.
Seu Benedito, conhecido como Bené, era um homem muito simples do interior. Viveu a vida inteira na roça, em meio às plantações e criações. Apesar da simplicidade tinha fartura em sua mesa. Sua casa, de tijolos à vista, era mantida sempre limpa por sua esposa, Dona Anastácia, que o ajudava no duro trabalho da roça.
Viveram por mais de quarenta anos essa rotina e foram felizes à sua maneira. Bené gostava de uma cachacinha e fumava seu cigarrinho de palha todos os dias ao final do expediente. Era um ritual que fazia diariamente após a sensação do dever cumprido.
Numa manhã de sábado, amanheceu com a boca torta e com dificuldade para mexer a perna direita. Foi levado para o hospital onde disseram que ela havia tido um “derrame”.
Após semanas internado, retornou para casa com uma sequela que o impossibilitou de andar e falar. Durante os próximos 7 anos foi muito bem cuidado por sua esposa. O filho assumiu as tarefas da roça e a vida continuou. Bené, apesar de tudo, mantinha o sorriso no rosto. Sua esposa sempre era muito atenta. Um belo dia percebeu uma pequena ferida na canela do marido. Como rotina de uma zelosa cuidadora, ela correu ao hospital para que fosse vista por um médico.
As adversidades da vida, às vezes, são encontradas nos lugares menos esperados. O clínico de plantão chamou o “angiologista” que , na verdade, era um jovem que cursava o segundo ano da residência de cirurgia vascular, que tinha vindo fazer um “bico”, substituindo naquele dia um amigo, naquela cidade do interior, e que estava muito sedento para realizar cirurgias para “treinar a mão”. Diagnosticou a ferida como doença vascular e indicou prontamente a amputação do membro inferior direito na altura da coxa como tratamento. O clínico quando soube achou um grande exagero e se arrependeu amargamente de ter chamado o jovem residente.
Três dias depois Bené teve alta e após uma semana morreu.
As vezes se perde uma perna, ou até mesmo uma vida, por um atropelamento dentro de um hospital. O jovem médico nunca soube que Benedito morreu. Na verdade, para o doutorzinho, Benedito foi somente mais uma perna amputada da sua gloriosa estatística.



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