Alguma Coisa Me Diz...
- Crônicas

- 4 de out. de 2025
- 2 min de leitura
Atualizado: 13 de dez. de 2025

Carlos Alberto tinha quarenta e oito anos. Divorciado , vivia feliz num segundo relacionamento há quatro anos. Os três filhos eram do primeiro casamento. Todos homens adultos e encaminhados na vida. Dois deles moravam fora do país. Cao, como era conhecido na família e na cidade, era praticante de Yoga e devoto de um Guru Indiano desde os vinte anos de idade. Sua companheira atual era católica. Ambos se entendiam e se respeitavam nas suas crenças.
Apesar de não ser chegado a médicos e a exames (só recorria a serviços de saúde quando sentia alguma coisa não administrável em casa) fez um check up de rotina, mesmo sem sentir nada, contra vontade, por insistência da esposa.
No resultado apareceu uma anemia, níveis anormais de leucócitos e alterações no número de plaquetas. O médico de família encaminhou para um hematologista.
Depois de outra bateria de exames, os resultados se mantiveram alterados. O especialista então indicou um mielograma (punção de medula).
Cao permaneceu sem sentir absolutamente nada, mantendo disposição e alegria interior, optando por não fazer o exame e seguir com sua vida. Filhos, esposas, amigos e parentes não se conformaram com a decisão de Carlos e insistiram para que fosse feito o exame.
Não suportando a pressão, fez o exame e o resultado foi Mieloma Múltiplo, que é uma forma de câncer de sangue. O hematologista disse que o tratamento tinha que ser o autotransplante de medula o quanto antes.
Novamente, Cao se recusou a realizar o procedimento que tinha muitos riscos. Permanecia sem sintomas e bem disposto e não via nenhum sentido em se submeter à cirurgia, mas, novamente, perdeu a batalha para os médicos, parentes e amigos. Foi vencido pela insistência. No seu íntimo , entretanto, uma intuição negativa o incomodava a cada etapa cumprida rumo ao transplante. Feitos todos os exames pré-operatórios foi marcada a data. Seguiu para o hospital com a esposa, normalmente, como se estivesse indo para o trabalho.
Chegada a hora de ir para o centro cirúrgico, Cao disse para a esposa:
-Alguma coisa me diz que não deveria estar aqui!
Morreu naquele dia na mesa de cirurgia.



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